As duas caras do AirBnb

09:04:00

Apesar da plataforma Airbnb existir há bastante tempo, eu nunca tinha provado viajar com esse tipo de hospedagem. Mas na minha última viagem, onde passamos por países bastante caros, quase fui obrigada a acudir ao AirBnb para conseguir lugar pra ficar.
Minha primeira experiência com a plataforma de aluguéis foi em Sydney. A cidade onde eu vivi 3 anos é famosa pelo seus altos preços. Em Sydney o aluguel é por cama e por semana, encontrar lugar pra ficar na cidade é tão dificil que eu a conheci estudante que pagava aluguel pra morar na sala. O apartamento que ficamos tinha uma localização ótima mas era velho e bastante sujinho. Ainda assim, foi o único lugar que encontramos na cidade pra ficar em uma época disputadissíma entre o Natal e o Ano Novo.

Sydney é considerada a cidade mais cara da Austrália

Nossa segunda experiência com o Airbnb foi na Nova Zelândia. A verdade é que o AirBnb salvou a gente de dormir na rua no dia 25 de dezembro. Depois de comprar as passagens pra viajar no Natal desde Sydney para Queesntown, na Ilha Sul da Nova Zelândia, percebemos que seria impossível se hospedar nesse dia, já que os hotéis, albergues e campings da cidade teriam a recepção fechada. 
Depois de vários meses de procura encontramos uma casa em Queenstown Hill que nos recebeu no dia 25 sem grandes problemas. Apesar da dificuldade para chegar (tivemos que pagar 100 euros em taxi pra ir e pedir carona para ir ao centro da cidade no dia 26) o nosso quarto era bem bom para o preço que pagamos. Também alugamos um quarto em uma casa em Auckland e adoramos a casa e a familia que nos recebeu.

A pequena Queenstown no verão

Mas foi no Hawaí que eu percebi o quanto o AirBnb poderia facilitar a minha vida. Assustada com os preços das hospedagens em Oahu, tive mais uma vez que recorrer a platarfoma para fazer o meu sonho de passar dez dias na ilha realidade. 
Como queríamos estar um poucos mais cômodos e com um pouco mais de privacidade, decidimos alugar um apartamento em Waikiki e outro em North Shore. Amamos as duas casas, nem se quer conhecemos os donos, tudo foi feito por mensagens através da plataforma e realmente acho que valeu a pena usar o AirBnb no Hawai. Nos sentimos vivendo como os locais, pegando as bicicletas e andando de praia em praia e com a privacidade de ter um apartamento só pra nós.


Nosso ap em North Shore

Waikiki

E por causa dessas experiências sempre defendi o AirBnb com unhas e dentes. Sempre acreditei que a plataforma facilitava muito a vida de viajantes como eu, que prefere apartamentos e campings a albergues e hotéis, em lugares como custo muito alto.
Mas foi aqui em Barcelona que vi como essa plataforma também afeta a vida dos locais. Muitos me dirão que por causa do AirBnb muita gente driblou a crise e quem sou eu pra discordar. Mas nunca tinha parado para pensar de como muita gente também estava sendo prejudicada com o crescimento do aplicativo de aluguéis.


Eu sou um exemplo disso. Levei 3 meses procurando apartamento e encontrar algo que não fosse só pra férias era um tarefa quase impossível. Os preços aqui em Barcelona subiram de tal maneira que moradores de bairros populares como Gràcia e Barceloneta estão tendo que se mudar para as aforas da cidade porque querem transformar o centro de Barcelona em uma cidade de aluguéis turisticos. 
Desde que entrou para o governo, a prefeita Ada Colau decidiu acabar com o turismo em massa na cidade. Entrou em guerra com o AirBnb e Homeaway, e proibiu a construções de novos hotéis na cidade durante dois anos.

Aqui em Barcelona, por exemplo, alugar uma casa inteira pelo AirBnb ou pra qualquer outra plataforma de aluguéis sem licença turística está proibido, a única coisa que ainda está permitida é alugar um quarto em uma casa ou apartamento com certas restrições.
Pelo que eu li, cidades como Berlin e Nova York  também estão começando a ter problemas com a expeculação imobilária. 
Aliás, o turismo desenfreado em Barcelona é o segundo motivo que mais preucupa os locais depois do desemprego. A cidade está recebendo cerca de 7,5 milhões de turistas ao ano, sem contar o número de cruzeristas que tamém pisam na cidade no verão. Eu como moradora da cidade, vejo assutada, como o crescimento turístico deseanfreado na cidade está gerando efeitos colaterais.

Sagrada Família , uma das atrações mais disputadas da cidade

Mesmo preferindo ficar em apartamentos que hotéis, agora começo a pensar em que tipo de turismo estou participando. Só pra que fique claro, não só contra os turistas virem pra Barcelona, mas se a prefeitura não começar a fazer algo, a cidade vai perder toda a sua essência e vai gerar ainda mais richa entre moradores e turistas.
E você o que acha?







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