Vivendo a sindrome do regresso na pele

04:38:00

Eu sabia que não ia ser fácil. Li tudo que havia na internet da tão falada síndrome do regresso, escutei relatos de gente que sofreu até 2 anos pra conseguir superar essa fase. Amigos que retornaram há 3 anos disseram que não há um dia sequer que não pensem em voltar para o país onde tiveram sua experiência internacional. Outros já tentaram voltar pra casa mais de uma vez e acabam comprando a passagem de volta pra Austrália, pra Inglaterra ou pro Canadá. 
Enfim, já vim preparada. Contudo, você percebe que nunca estará preparada para toda a confusão que sua cabeça vai passar.

It´s not going to be easy...

Os primeiros dias

Chegar no lugar que você considera casa é muito bom, no meu caso que vivi 7 anos aqui em Barcelona, era como uma espécie de nova aventura em um lugar que ja conhecia, o que eu pensei que minizaria a tal da nostalgia. Aqui tenho amigos, a família do meu marido (que é como se fosse a minha) e todas as facilidades de uma pessoa que tem cidadania no país.
Os primeiros dias foram para rever amigos, colocar a nossa vida em ordem, se recuperar do jet lag, contar aos mais próximos sobre nossa experiência e as nossas últimas viagens.
No primeiro mês tambem fizemos bastantes entrevistas e até chegamos a descartar alguns trabalhos.

Voltei. E agora?

O nosso medo a princípio foi justamente não encontrar emprego, já que saímos da Espanha no auge da crise. Em menos de um mês já tinhamos casa, trabalho e carro. Ou seja tudo parecia estar se encaixando perfeitamente.

Até que..

Depois da euforia do primeiro mês, eis que voce começa a sentir ao chamado choque cultural ao contrário. O estilo de vida dos espanhóis é muito diferente dos australianos, a maneira de pensar e de encarar a vida me choca. Até meus amigos mais próximos parecem que já não tem tanta coisa em comum comigo. No ambiente de trabalho acontece a mesma coisa, em um mês já trabalhei em 2 lugares diferentes e não me acustumei. Tô partindo pra um terceiro. E tenho medo de não me acustumar nunca.

Não queremos nenhum trabalho que nos tire o estilo de vida que conquistamos...

Sintomas

Não sou psicóloga nem tampouco médica, mas me conheco muito bem. Minha falta de concentração triplicou, porque estou pensando constatemente na minha vida australiana. Algumas vezes acordo de noite pensando que estou em Margaret River ou em qualquer um dos lugares que visitei na Austrália. Me sinto bastante cansada e até meu sitema imunológico e digestivo anda estranho. Com o meu marido (que é espanhol) está acontecendo o mesmo, ainda que ele tem levado melhor a questão de se acostumar com um trabalho do que eu. 
Também ando esquecendo das coisas, tenho que fazer listas contantes pra me lembrar do que tenho fazer.
O pior sintoma de todos? Quando surge a pergunta: "O que eu estou fazendo aqui?"

Ainda não me acostumei em acordar em outro lugar

Como remediar...

Outro dia o Gerard conversou com um dos seus melhores amigos que voltou da Austrália há quase três anos e ele disse que essa nostalgia nunca passa, mas com tempo ela melhora. 
A gente se centrou em coisas que sentíamos falta quando estavamos fora, como decorar a nossa casa com as coisas que a gente gosta ( pricipalmente coisas que guardamos das nossas viagens). Também valorizamos mais estar com os amigos de longa data ( fazer amigos na Austrália é fácil, dificil é quando o visto de todo mundo acaba e todos vão embora), em saber que minha familia em breve vem me visitar, em fazer novos planos que mal posso esperar para colocar-los em prática , em saber que aqui mesmo em um país não totalmente recuperado da crise, temos a oportunidade de escolher o que queremos e o que não para nossas vidas profissionais, em disfrutar de coisas que amávamos em Barcelona.

Mas vocês estão pensando em voltar pra Austrália ? 

Não. Ainda que tenhamos muitíssimas saudades de tudo que vivemos na Austrália, queremos passar um tempo por aqui. Nossa decisão foi muito bem tomada e pensada e sabemos que essa fase dos primeiros meses vai passar. Queremos aproveitar o máximo tudo que nos faltava lá e passar pelo menos o verão europeu por aqui. Mas também nunca dizemos nunca. Só o tempo dirá quais serão os nossos próximos passos.

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