Não se sinta estranho se você não largou tudo pra viajar

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Cada dia que abro minha timeline no Facebook encontro alguns textos de diferentes canais de comunicação falando sobre a minha geração. Títulos como: “A geração que prefere viajar a consumir”, “A geração que larga tudo pra viajar” “A geração que encontrou a felicidade pedindo demissão “ é quase uma constante nos últimos meses. Ainda que os personagens desse texto sejam pessoas como eu e que também ache interessante falar sobre as mudanças de geração a geração, acho também que já ficando chato tentar mostrar pra todo mundo o quanto a gente é legal e desapegado, e como todo mundo deveria sair por aí pedindo carona e viajando pra encontrar a tão almejada felicidade.


Ninguém tem obrigação de ser desapegado.

Há algum tempo atrás me dei conta que viajar não é pra todo mundo. E não estou falando só pelo aspecto econômico, que é a maior barreira para uma esmagadora parte da população (especialmete brasileira). Ainda que seja a coisa que eu mais ame fazer na vida, já não fico tentando convencer as outras pessoas a fazerem o mesmo. Vi como muita gente que eu conheci na Austrália reclamava por que odiavam os subempregos ( essa palavra faz os meus ouvidos sangrarem) e como voltavam da Ásia dizendo que estavam cansados de ver sempre o mesmo, de comer sempre a mesma comida, de ter que andar de um lado pro outro com uma mochila nas costas e que o único que queriam eram voltar pra o conforto das suas casas. A princípio eu não entendia como eu e outra pessoa poderia ter sensações relacionadas a uma viagem tão opostas, mas depois concluí que a maioria dessas pessoas só estavam fazendo os que todos esses textos sobre nomadismo digital diz pra você fazer. Que sequer pararam pra pensar que talvez essa vida de andar de um lado pro outro não é o que lhes faz feliz. Que a felicidade não se encontra nos museus da Europa nem nos templos da Ásia. Que só queriam entrar para as estatiticas do “Casal que vendeu tudo pra viajar “ pra finalmente mostrar para os seus amigos que eles ja concluíram essa etapa da vida, como se fosse uma obrigação.


Se pergunte primeiro se largar tudo e viajar é realmente o que você quer da vida...

Muita gente me pergunta porque que eu não faço uma volta ao mundo. Ora bolas, não é porque eu gosto de viajar que eu TENHA que fazer uma volta ao mundo. Primeiro é um tipo de viagem que não é pro meu bolso, segundo que já descobri que não gosto de viajar mais de três meses seguidos, terceiro porque eu simplesmente não quero.
Por isso não se sinta estranho se você decidiu focar na carreira ou decidiu investir num imóvel ou simplesmente decidiu construir uma familia. Nós temos sonhos diferentes. E isso não me faz melhor do que você e nem você melhor que eu. O único que eu desejo é que a nossa geração encontre o caminho da felicidade. Seja largando tudo pra viajar ou não.


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