A verdade sobre os orfanatos do Camboja

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Há tempos que quero contar minha frustada experiência na tentativa de fazer trabalho voluntário no Camboja. Decidi falar desse assunto agora (depois de quase dois anos daquela viagem) após ver uma reportagem em um canal australiano sobre o assunto.

Na matéria exibida, uma australiana contava a frustração dela depois de uma viagem ao país em 2012, onde comovida de ver tantas crianças órfãs no país, decidiu voltar a Austrália e arrecadar fundos para tais orfanatos.


Encontrar crianças abandonadas em Angkor Wat é uma realidade triste e desoladora.

Logo depois de um tempo, percebeu que na verdade todas aquelas crianças tinham pais e que eles a abandonavam nos orfanatos para que elas conseguissem dinheiro através dos turistas para levar para casa.
Mas o pior não era só a exploração infantil, mas sim as condições que elas viviam naqueles lugares que chamavam de orfanatos. Viviam expostos a doenças pela falta de água potável e sem nenhum acompanhamento de assistentes sociais, deixando-as também expostas a possíveis pedófilos e criminosos ligadas ao tráfico de pessoas.
Esse tipo de "negócio" cresceu nos últimos anos principalmente na capital Phnon Phen e em Siem Riep, onde estão localizados os famosos templos de Angkor Wat.
Entretanto, várias organizações como a UNICEF têm tentado fechar as portas de muitas delas. O governo do Camboja também têm trabalhado para fazer um controle dessas "instituições" no país.


Adolescentes tentar vender survenirs nos templos de Angkor

Eu sempre achei que visitar um orfanato por algumas horas não traz nenhum benefício para as crianças que lá vivem. Aliás, eu acho que visitas de turistas fazem muito mal na realidade. Você pode até pensar que fez algum bem dedicando algumas horas da sua vida dando carinho e atenção à aquelas crianças mas em realidade quando você vai embora, elas seguem com suas vidas sem nenhum tipo de afeto, amor e carinho e se sentem abandonadas uma e outra vez.
Quando planejei minha viagem pelo Sudeste Asiático, o que queria em realidade era procurar alguma escola ou alguma instituição séria para dar aulas de inglês e espanhol. O Camboja e Tailândia eram os dois países que eu tinha pensando em fazer voluntariado basicamente por causa da facilidade de extensão do visto. Embora muitas pessoas tenham conseguido bons contatos e tenham feito ótimo trabalhos em comunidades desses dois países, ainda é muito difícil confiar em algumas organizações. 
E por esse motivo, por medo de piorar ainda mais a situação daquelas crianças decidimos que o melhor era desistir do voluntariado. Em todas as escolas e orfanatos que procuramos informações, nenhuma nos passou nenhum tipo de confiança.

Felizmente a australiana da reportagem conseguiu reverter essa situação e criou o Cambodian Children´s Trust ,uma ONG que aproxima as crianças outras vez das suas famílias e lhes dá condições de criar seus filhos aprendendo alguma profissão ou até mesmo ajudando na organização. A Tara Winkler, fundadora da ONG, que é uma das poucas reconhecidas pela UNICEF, tem feito um trabalho sensacional nos últimos anos.

Uma mãe carrega o seu filho pelas ruas de Siem Riep

Uma amiga nossa da Nova Zelândia, que conhecemos no Vietnã também criou o Projeto Sunshine , que ajuda crianças em situação de risco no país com educação , acompanhamento médico e social. A Rochelle, nossa amiga, disse que o trabalho dela têm sido árduo, já que encontrar crianças em situação de abandono é muito comum no páis. Ela faz o possível para reaproximar as crianças com as famílias repartindo vitaminas, comida e roupas para comunidades pobres em Siem Riep, já que tais abandonos ocorrem principalmente pela situação financeira dos pais que não podem alimentar os filhos.

Crianças cuidadas pelo Rochelle no Projeto Sunshine.

Para terminar recomendo que se você está planejando visitar o país não se deixe cair na armadilha de visitar um orfanato como atração turística, pesquise bastante sobre a ONG e faça o bem de maneira correta. As crianças do Camboja agradecem.

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